As cotações dos contratos de café arábica na ICE Futures US voltaram a bater recordes na semana passada. Depois de subirem fortemente na segunda e na quarta-feira, o contrato com vencimento em março atingiu, na quinta, a máxima de US$ 4,4085 por libra-peso, fechando o dia em US$ 4,3890, um novo recorde de fechamento.
Na sexta (14), o mercado apresentou forte oscilação e uma queda acentuada, refletindo movimentos de realização de lucros e ajustes técnicos. Mesmo com o recuo diário, o saldo da semana passada foi positivo, com alta acumulada de 3,80% nos contratos de arábica em Nova Iorque.
O cenário de preços recordes continua beneficiando compradores que estão na posição comprada nos contratos futuros, enquanto vendedores enfrentam fortes prejuízos.
Fundamentos de mercado
Os fundamentos do mercado de café seguem os mesmos: estoques baixos tanto em países produtores quanto consumidores e eventos climáticos extremos impactando a oferta global, sem sinais de alívio para 2025.
No Brasil, a situação é ainda mais apertada. O segundo semestre do ano-safra (janeiro a junho) indica dificuldades no abastecimento do consumo interno e das exportações. Analistas apontam que os cafeicultores já venderam entre 85% e 90% da safra 2024, restando pouco volume disponível para os próximos meses.
Os embarques de março a junho ainda precisarão ser atendidos com esses estoques remanescentes, além da demanda do mercado interno, que consome cerca de 1,7 milhão de sacas por mês. A nova safra de 2025, segundo estimativas, não será maior do que a de 2024, mantendo o cenário de oferta apertada.
Condições climáticas
Segundo a Climatempo, as principais regiões produtoras de café no Brasil devem enfrentar tempo seco e temperaturas elevadas nesta semana.
A previsão é de que as chuvas retornem apenas nos últimos dias de fevereiro, intensificando o estresse térmico e hídrico das lavouras. Esse fator pode comprometer o desenvolvimento final dos grãos, especialmente a fase de ganho de peso, impactando a qualidade e o volume da safra 2025/26.
Cotações
Os contratos de café na ICE Futures US e na ICE Europe seguem registrando variações intensas:
Arábica (Nova Iorque – ICE Futures US)
– Março: Oscilação de 2.140 pontos, com máxima de US$ 4,3815 e fechamento em US$ 4,1975 (- 1.915 pontos)
– Acumulado da semana: +3,80% (+1.540 pontos)
– Acumulado do mês de janeiro: +18,1% (+5.810 pontos)
– Acumulado de dezembro: +170 pontos
– Acumulado de novembro: +29,5% (+7.255 pontos)
Robusta (Londres – ICE Europe)
– Março: Máxima de US$ 5.843 por tonelada, fechamento em US$ 5.735 (- US$ 59)
– Acumulado da semana: + US$ 174
– Acumulado do mês de janeiro: +US$ 797
Estoques certificados
Os estoques certificados na ICE Futures US continuam caindo, reforçando a preocupação com a oferta global:
– Estoques atuais: 839.399 sacas
– Há um ano: 302.462 sacas
– Redução acumulada em janeiro: -112.385 sacas
– Queda semanal: -23.339 sacas
Mercado físico brasileiro
No mercado físico brasileiro, os preços do café permaneceram firmes, mas com volume de negócios reduzido. Apesar do forte aumento nos preços de compra nas últimas semanas, compradores parecem estar avaliando novas estratégias para a entressafra.
Algumas negociações pontuais refletiram os preços elevados da ICE Futures US, com arábicas de boa qualidade ultrapassando os R$ 3.000 por saca. No entanto, muitos produtores estão retraídos, esperando preços ainda mais altos.
Exportações de café (janeiro)
Segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o Brasil exportou em janeiro 3.976.765 sacas de 60 kg, queda de 1,63% em relação a janeiro de 2024, mas alta de 1,35% frente a dezembro do ano passado.
Os embarques ficaram distribuídos da seguinte forma:
– Arábica: 3.278.125 sacas (+12,02% em relação a dezembro)
– Conilon: 328.074 sacas (-57,62% em relação a dezembro)
– Solúvel: 365.598 sacas (-13,82% em relação a dezembro)
– Torrado: 4.968 sacas
Até 14 de fevereiro, os embarques somavam 1.203.605 sacas, contra 1.795.334 sacas no mesmo período de janeiro. Os pedidos de emissão de certificados de origem também caíram, refletindo um cenário de oferta mais apertado.
Perspectivas
O cenário para o café segue desafiador. Com os estoques baixos e o clima adverso impactando a safra 2025/26, os preços devem continuar sustentados em níveis elevados.
Além disso, a volatilidade nos contratos futuros e a expectativa de ajustes nos fluxos de exportação reforçam a necessidade de acompanhamento atento por parte dos produtores e do mercado global.