Preços do café podem continuar subindo caso a oferta siga em queda nas principais regiões produtoras, alerta FAO em relatório publicado neste mês.
Entre os fatores que impulsionaram a recente valorização da commodity – cujos preços, inclusive, fizeram com que houvesse uma redução na diferença entre eles das duas variedades, algo que não se via desde a década de 1990 – estão a redução das exportações do Vietnã, a queda na produção da Indonésia e os impactos do clima no Brasil.
A seca prolongada no Vietnã causou uma redução de 20% na safra 2023/24 – um recuo de 10% nas exportações do país pelo segundo ano consecutivo. Na Indonésia, as exportações do país caíram 23% – resultado da redução da safra em 16,5%, causada por chuvas excessivas entre abril e maio de 2023 que comprometeram o desenvolvimento dos grãos.
O relatório da entidade aponta que, em dezembro de 2024, o preço do arábica, principal variedade usada em cafés torrados e moídos, estava 58% mais alto do que no mesmo período do ano anterior. Já o robusta, mais comum no café solúvel e em blends, acumulou uma alta ainda maior, de 70% em termos reais.
Esse movimento reduziu a diferença de preço entre as duas variedades, algo que não acontecia desde meados da década de 1990.
Além da menor oferta global, o aumento nos custos de transporte marítimo também foi apontado pela FAO para a alta dos preços do café.
“Os preços elevados devem incentivar mais investimentos em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento no setor cafeeiro”, afirmou Boubaker Ben-Belhassen, diretor da Divisão de Mercados e Comércio da FAO.