A marca de 2024 foi a notável elevação nos preços de robusta e arábica, com os valores internos de ambas as variedades mais que dobrando ao longo do ano. Esse aumento foi impulsionado por vários fatores adversos, incluindo condições climáticas desfavoráveis, como estiagem e calor prolongados, colheita abaixo do esperado no Brasil, que resultou em estoques reduzidos, e uma produção menor no Vietnã.
No caso do robusta, o Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, atingiu recordes históricos. Sua média mensal saltou de R$ 740 (saca de 60 kg) em dezembro de 2023 para R$ 1.800 em dezembro de 2024. Já o arábica, no mesmo indicador, tipo 6, bebida dura para melhor, alcançou o maior valor real desde 1997, com a média anual subindo de R$ 970 por saca para R$ 2.200.
Os preços do robusta chegaram a superar os do arábica entre o final de agosto e o início de setembro – um fenômeno raro, que só havia ocorrido anteriormente entre outubro de 2016 e janeiro de 2017. Os preços do robusta iniciaram o ano em alta, impulsionados tanto por fatores internacionais quanto domésticos. A demanda externa pelo robusta brasileiro manteve-se firme ao longo do ano, enquanto incidentes como ataques a navios comerciais no Mar Vermelho dificultavam a entrada de café vietnamita na Europa, redirecionando compradores para o Brasil.
Ainda nos primeiros meses de 2024, o clima mais chuvoso inicialmente favoreceu as lavouras, criando boas expectativas para a safra 2024/25. Contudo, a partir de abril, a falta de chuvas nas regiões produtoras comprometeu seu desenvolvimento, resultando em rendimentos inferiores ao esperado para os dois grãos, com muitos produtores relatando redução no tamanho dos grãos de arábica.
Segundo a Conab, a safra brasileira de café de 2024/25 totalizou 54,8 milhões de sacas – uma leve redução de 0,5% em relação à temporada anterior. A produção de arábica foi estimada em 39,5 milhões de sacas (um aumento de 1,7%), enquanto a de robusta caiu 6%, totalizando 15,2 milhões de sacas.
Com o término da colheita, a atenção dos produtores voltou-se para a safra 2025/26. As chuvas, que geralmente começam em setembro, só se intensificaram em outubro, trazendo alívio significativo para os cafeicultores e estimulando as floradas nas principais regiões. A continuidade das chuvas em novembro foi crucial para o desenvolvimento dos chumbinhos e para evitar prejuízos na temporada seguinte. Porém, o alto índice de desfolhamento das lavouras, especialmente as de sequeiro, pode limitar a produção de arábica na próxima safra.
Em relação às exportações, a safra 2023/24 registrou um recorde, com 47,4 milhões de sacas exportadas – um aumento de 33,3% em relação à safra anterior, segundo o Cecafé. Esse resultado, excepcional, reflete a forte demanda pelo café brasileiro, particularmente pelo robusta, cujos envios totalizaram 8,24 milhões de sacas, o maior volume da série histórica do Cecafé.