Cotações e mercado

A semana foi marcada por intensas oscilações nos contratos futuros de café na ICE Futures US e ICE Europe, segundo o boletim emitido pelo Escritório Carvalhaes nesta sexta (7). Os preços registraram alta expressiva nos primeiros três dias da semana, mas recuaram nos últimos dois dias, encerrando o período com balanço positivo.

Os contratos de arábica em Nova Iorque acumularam alta de 1.135 pontos, um avanço de 3%, enquanto o de robusta em Londres subiu 23 dólares, uma valorização de 0,43%.

O movimento no mercado reflete, em grande parte, reações dos operadores às medidas econômicas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, cujos detalhes ainda não foram completamente esclarecidos. Os fundamentos do setor permanecem inalterados, com baixos estoques nos países produtores e consumidores e preocupação com os impactos climáticos nas lavouras.

No Brasil, o mercado segue com estoques reduzidos, gerando preocupação sobre o abastecimento interno e as exportações nos próximos meses. De acordo com o boletim, há consenso de que os produtores já liquidaram a maior parte da safra atual.

Impacto no setor

O governo federal anunciou um pacote para tentar conter a inflação nos alimentos, incluindo a isenção de impostos de importação sobre produtos. Entre os itens afetados estão:

  • Café (antes com alíquota de 9%)

  • Açúcar (14%)

  • Carnes (10,8%)

  • Milho (7,2%)

  • Óleo de girassol e azeite de oliva (9%)

  • Sardinha (32%)

  • Biscoitos (16,2%) e massas (14,4%)

No entanto, segundo a Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), a medida é ineficaz. “Zerar a alíquota sem autorização sanitária para importação não gera repercussão ou vantagem”, afirmou Aguinaldo Lima, diretor de relações institucionais da entidade.

Atualmente, apenas Peru e Vietnã estão autorizados a exportar café para o Brasil. No entanto, ambos enfrentam desafios. O Vietnã, maior produtor de robusta do mundo, teve uma safra menor que o previsto e suas exportações recuaram 23,5% no primeiro bimestre do ano. O Peru também registrou queda, com retração de 77% nas exportações em janeiro.

Estoques e comportamento do dólar

Os estoques de café certificado na ICE Futures US aumentaram para 797.826 sacas, um crescimento de 386.949 sacas em relação ao ano anterior. Entretanto, no acumulado de 2025, os estoques ainda apresentam uma queda de 182.141 sacas.

O dólar fechou a semana cotado a R$ 5,7900, com alta de 0,52% no dia. Na semana passada, encerrou a R$ 5,9160, indicando oscilação no câmbio.

Cafés certificados e exportações

Os embarques de café também registraram queda. Até 7 de março, foram embarcadas 267.559 sacas, abaixo das 3.063.778 sacas enviadas em fevereiro. Os pedidos de certificados de origem também caíram, totalizando 448.424 sacas em março, contra 4.589.953 sacas no mês anterior.

Perspectivas

Com baixos estoques e previsão de safra estagnada para 2025, o mercado deve permanecer volátil. A incerteza sobre as medidas econômicas nos EUA e os impactos do clima na produção seguirão como fatores determinantes para os preços do café nos próximos meses.



Link para fonte da notícia