Os contratos de café arábica na ICE Futures US, em Nova York, ultrapassaram pela primeira vez a marca de US$ 4 por libra-peso. Na sexta-feira (7), os vencimentos para março atingiram a máxima de US$ 4,1395 e encerraram o pregão cotados a US$ 4,0435, consolidando a 13ª sessão consecutiva de valorização.

A escalada dos preços reflete a baixa disponibilidade global. Os estoques seguem apertados nos países produtores e consumidores, enquanto eventos climáticos extremos continuam a impactar a oferta mundial. No Brasil, o segundo semestre do ano-safra (janeiro a junho) aponta para desafios no abastecimento do consumo interno e das exportações.

No mercado físico brasileiro, os compradores elevaram suas ofertas ao longo da semana, mas não acompanharam a intensidade da alta das cotações em Nova York. Os negócios ocorreram em volumes abaixo do necessário para atender a demanda interna e as exportações.

Cotações

O desempenho desta semana foi influenciado pela liquidação de contratos de opções na quarta-feira e pela rolagem dos contratos de março para maio. O café arábica acumulou alta de 7,01% nesta semana, após valorizações de 18,2% na anterior e 5,85% na semana retrasada. Em janeiro, o avanço foi de 18,1%, e em dezembro, 29,5%.

Nos contratos para maio, os preços também bateram recordes, alcançando US$ 4,0490 na máxima do dia. O fechamento ficou em US$ 3,9670, após oscilação de 1.400 pontos entre mínima e máxima.

Já os contratos para março na ICE Futures US encerraram a sexta (7) valendo R$ 3.098,53 por saca, acima dos R$ 2.917,45 da semana passada e dos R$ 2.721,20 da anterior. Com a oferta restrita e alta demanda, a tendência de valorização deve continuar nos próximos pregões.

Enquanto o arábica segue em alta, os contratos de robusta na ICE Europe, em Londres, tiveram uma semana de quedas. Os vencimentos para março atingiram US$ 5.643 por tonelada, mas encerraram o pregão a US$ 5.561, recuando 72 dólares no dia. No acumulado semanal, a queda foi de 157 dólares, contrastando com os ganhos de 174 dólares na semana passada e de 538 dólares na anterior.

Exportações 

Apesar da oferta ajustada, o Brasil segue com bons volumes de exportação. Até o dia 6 de fevereiro, os embarques de arábica somavam 3,24 milhões de sacas, enquanto o conilon registrou 310 mil sacas e o café solúvel, 363 mil sacas. O total embarcado até agora chega a 3,92 milhões de sacas, acima das 3,78 milhões registradas no mesmo período de dezembro.

Para fevereiro, os embarques já atingiram 458 mil sacas, um avanço em relação às 324 mil sacas registradas até o mesmo dia de janeiro. Os pedidos de certificados de origem também indicam uma demanda aquecida, com 614 mil sacas requisitadas até agora para este mês.

Consumo interno 

Entre novembro de 2023 e outubro de 2024, o consumo de café no Brasil cresceu 1,1%, alcançando 21,9 milhões de sacas, segundo a ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café). O país mantém a posição de segundo maior consumidor mundial, atrás dos Estados Unidos, que superam o Brasil em 4,1 milhões de sacas em volume absoluto. No entanto, no consumo per capita, os brasileiros levam vantagem, com 6,26 kg por habitante ao ano, contra 4,9 kg dos norte-americanos.

Estoques certificados 

Os estoques de cafés certificados na ICE Futures US registraram aumento de 8.185 sacas nesta sexta (7), chegando a 862.738 sacas. No entanto, no acumulado da semana, houve uma redução de 4.844 sacas.



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