Os contratos de café trabalham em alta na ICE Futures US, em Nova York, e na ICE Europe, em Londres, de acordo com o Boletim Carvalhaes, divulgado na sexta (21). Os fundamentos do mercado de café permanecem os mesmos. Os estoques são baixos, tanto nos países produtores como nos consumidores, e os problemas climáticos, com eventos extremos, se sucedem em todo o mundo, sem previsões de que diminuirão em 2025.
Altas temperaturas afetam cafezais
Segundo o Boletim, as altas temperaturas no decorrer do verão brasileiro prejudicaram o crescimento dos frutos da nova safra 2025, e muitos agrônomos já se preocupam com o impacto das temperaturas deste verão – encerrado ontem (20) – sobre a produção cafeeira do Brasil em 2026.
Conforme informado em matéria veiculada pela revista Globo Rural, entre janeiro e fevereiro, as lavouras de café enfrentaram estiagem e altas temperaturas, o que deve afetar o rendimento da safra atual de café e da próxima, de acordo com a Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), maior comercializadora de café do mundo. “Ainda tem muita instabilidade climática. Não temos certeza do que vai acontecer”, afirmou Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, que disse que as temperaturas em fevereiro ficaram mais altas que em novembro, ultrapassando 32°C. Acima dessa temperatura, segundo o executivo, o cafezal para de fazer fotossíntese.
Bachião Filho acrescentou que os cafezais produziram menos folhas por conta do calor. Além disso, as chuvas retornaram nos últimos dias, mas não em todas as regiões cafeeiras. “Alguns lugares estão com o volume de chuvas 60% abaixo da média histórica”, observou. Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé, disse que só será possível medir o impacto do clima depois da colheita e do beneficiamento do café.
Oscilações na ICE
Os contratos futuros de arábica para maio na ICE Futures US oscilaram, nesta sexta, 925 pontos entre a máxima e a mínima. A cotação atingiu US$ 3,9575, mas encerrou o pregão a US$ 3,9140, queda de 75 pontos. No acumulado da semana, a alta foi de 1.420 pontos, após uma queda de 720 na semana anterior.
Na ICE Europe, os contratos de robusta para maio bateram US$ 5.552 por tonelada, mas fecharam o pregão valendo US$ 5.515, em alta de US$ 18. Na semana, registrou alta de R$ 118, mas no mês de fevereiro ainda soma queda de US$ 364 por tonelada.
Os estoques certificados na ICE Futures continuam em queda. Apenas nesta semana, o volume recuou 19.028 sacas, totalizando 777,7 mil sacas. Neste ano de 2025, até a sexta (21), os estoques apresentaram declínio de 205,3 mil sacas.
Valores das ofertas impedem novos negócios
O dólar encerrou a sexta (21) em R$ 5,71, com alta de 0,72%. No mercado físico, os preços do café em reais por saca para maio na ICE Futures US subiram de R$ 2.866, na sexta (14), para R$ 2.959, no dia 21.
Segundo o Boletim, o mercado interno brasileiro permaneceu calmo ao longo da semana, com o valor das ofertas impedindo o fechamento de negócios. Apesar do interesse comprador para todos os padrões de café, os vendedores recuam e poucos negócios são concluídos. O volume de vendas continua abaixo do necessário para atender às necessidades do consumo interno e a exportação.
Embarques
Até 21 de março, os embarques de café arábica somavam 1,52 milhões de sacas, os de conilon estavam em 57,7 mil sacas e, os de solúvel, em 131,7 mil sacas, totalizando 1,71 milhões de sacas embarcadas. No mesmo período de fevereiro, esse volume era de 1,78 milhões de sacas.
Os pedidos de emissão de certificados de origem para embarques em março totalizam 2,24 milhões de sacas, contra 2,01 milhões no mesmo período do mês anterior.