As cotações do café continuam oscilando na ICE Futures US, em Nova York, e na ICE Europe, em Londres, refletindo a instabilidade nos mercados globais, informa o Boletim Carvalhaes desta sexta, 14. Essas variações expressivas não estão ligadas a mudanças nos fundamentos do mercado, mas, sim, à insegurança gerada por transformações na política e economia dos Estados Unidos sob o governo do presidente Donald Trump. 

Segundo o boletim, a adoção de novas tarifas comerciais e o enfraquecimento do sistema econômico global têm levado investidores a buscar proteção no ouro, cujo preço ultrapassou US$ 3 mil por onça, um recorde histórico.

Exportações recuam 10,4% em fevereiro

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou que as exportações brasileiras de todos os tipos de café caíram 10,4% em fevereiro, totalizando 3,27 milhões de sacas. Em relação a janeiro de 2024, o recuo foi ainda maior, de 18,2%. O boletim aponta que as exportações de arábica somaram 2,77 milhões de sacas – uma queda de 16,03% em comparação ao mês anterior–, enquanto os embarques de conilon caíram 32,3%, com 226 mil sacas exportadas. O café solúvel também registrou queda de 24,91%, fechando o mês com 274,8 mil sacas embarcadas.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2025, o Brasil exportou 416 mil sacas a menos do que no mesmo período do ano passado, representando um recuo de 5,4%. O Porto de Santos manteve sua posição como principal canal de exportação do país, movimentando 5,63 milhões de sacas (77,5% do total), seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro, com 1,32 milhão de sacas (18,2%), e pelo Porto de Paranaguá, que exportou 84,2 mil sacas (1,2%).

Mercado futuro: volatilidade e quedas na ICE

Os contratos futuros de café arábica para maio na ICE Futures US oscilaram fortemente na semana passada, com variação de 1.275 pontos entre máxima e mínima. A cotação atingiu US$ 3,86 por libra-peso, mas encerrou o pregão a US$ 3,77, uma perda de 850 pontos no dia. No acumulado da semana, a queda foi de 720 pontos, após um avanço de 1.135 pontos na semana anterior.

Na ICE Europe, os contratos de robusta para maio chegaram a US$ 5.527 por tonelada, mas fecharam o dia a US$ 5.397, com uma baixa de US$ 131. Apesar da valorização acumulada de US$ 44 na semana, o robusta ainda registra perdas expressivas no mês, com queda de US$ 364 por tonelada em fevereiro.

Os estoques certificados na ICE Futures também continuam em queda. Apenas nesta semana, o volume recuou 1.090 sacas, totalizando 796,7 mil sacas. Há um ano, os estoques eram de 467,8 mil sacas, um aumento significativo de 328,9 mil sacas no período.

Dólar recua, mercado físico travado

O dólar encerrou a sexta (14) em R$ 5,74, com queda de 0,95%. No mercado físico, os preços do café em reais por saca para maio na ICE Futures US caíram de R$ 2.944 na sexta (7) para R$ 2.866 no dia 14.

Segundo o boletim, o mercado interno brasileiro permaneceu paralisado ao longo da semana, com poucos negócios sendo fechados. Apesar do interesse comprador, os vendedores consideram os preços oferecidos abaixo do esperado e resistem a realizar vendas. Esse cenário pode comprometer o abastecimento do consumo interno e das exportações nos próximos meses.

Tendência para os próximos embarques

Até 14 de março, os embarques de café arábica somavam 2,77 milhões de sacas, os de conilon, 226 mil sacas e os de solúvel, 274,8 mil sacas, totalizando 3,27 milhões de sacas embarcadas. No mesmo período de fevereiro, esse volume era de 3,97 milhões de sacas – confirmando o ritmo desacelerado das exportações.

Os pedidos de emissão de certificados de origem para embarques em março totalizam 3,11 milhões de sacas, contra 4,59 milhões no mesmo período do mês passado, reforçando a previsão de um novo mês de exportações mais fracas.



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